Dia 28 de outubro, cheguei ao trabalho e o tesoureiro do banco pediu que eu não abrisse o caixa, uma vez que a folha de pagamento dos professores havia chegado e eu teria que lançar nas contas correntes respectivamente; gostei, pois, como estava muito sensibilizada e sentido medo, seria bom não abrir o caixa e ficar correndo risco, esse era o meu pensamento naquele instante ser caixa era se arriscar e ficar a mercê de assaltantes etc. Fui para o CPD e enquanto digitava a folha de pagamento, de repente olhei para o relógio e os ponteiros marcavam 12:45 h, então começou o transtorno novamente, atordoando minha mente, comecei olhar para o vídeo onde fica aparecendo as imagens da porta giratória e dos caixas, esse era o horário aproximado do assalto, fui entrando em desespero, uma voz surgia dominando meus pensamentos, dizendo "eles vão entrar, vai ter assalto, vai ter assalto"; como essa situação não passava, resolvi ir até a copa tomar água, assim que cheguei haviam dois colegas, falei o que estava acontecendo comigo e um deles falou que eu estava impressionada com o assalto que foi violento; senti tontura e falta de ar, perda de equilíbrio, era como se minha cabeça inchasse e pesasse para trás, fui até o setor médico da Escola, a pressão estava normal e quando retornei pela porta dos fundos do banco, não conseguia entrar, sentia medo, avançava um passo, voltava dois, nesse momento percebi a presença de uma jovem que não usava uniforme e dizia estar apenas conhecendo a Escola, só que ali era só a porta dos fundos do banco, não tinha nada de interessante, daí que não consegui entrar, porque comecei a pensar que talvez ela estivesse com algum assaltante, ou observando como é a entrada dos fundos para outro assalto etc. Fiquei ainda mais descontrolada, tentei entrar no banco mas não conseguia ter coragem, duas colegas me levaram para sala de reuniões e fizeram prece com as mãos dadas e impostas, como o medo persistia levaram-me para casa, fora do banco estava tudo bem o problema era permanecer dentro dele e como fazer para ir trabalhar no dia seguinte?
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terça-feira, 5 de fevereiro de 2008
O Trauma - 2ª parte
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sábado, 2 de fevereiro de 2008
O Trauma
Durante o decorrer da semana e principalmente no dia seguinte ao assalto, sentia-me a pessoa mais feliz do mundo, pois sobrevivi a um assalto a mão-armada e violento; mesmo com forte dor no ouvido direito, que permaneceu por dois dias consecutivos, porque o assaltante gritava muito alto, consegui concentrar na necessidade de ir trabalhar e mesmo com medo de entrar no banco trabalhei bem até quarta-feira da semana seguinte, dia 27 de outubro de 2004, em que cheguei ao banco e abri o malote no caixa para colocar o dinheiro na gaveta e observei que havia pouco; automaticamente pensei na possibilidade de haver outro assalto, daí a pergunta: e se o assaltante pedir mais dinheiro? serei eu a enfrentar a situação; o medo tomou conta de mim e a sensação era de perigo o tempo todo, parecia que a qualquer momento entrariam novamente a anunciar outro assalto, o que fazer a não ser pensar em Deus, pedindo coragem, porque é preciso trabalhar, continuei, então, o meu serviço. Após um tempo de atendimento, entrou na agência um homem com olhar firme, usando jaqueta verde musgo, com pasta e capacete pretos, ficou na fila, eu jamais havia visto esse homem na agência uma vez que era para uma clientela específica; então saí correndo em direção ao CPD, onde estavam três colegas, que puderam ver o meu estado de medo e desespero, pois eu chorava, ria e tremia ao mesmo tempo, a única coisa que conseguia falar era: "gente eu não estou bem, eu não sou assim, nunca senti esse medo assim dessa maneira tão desesperadora, o que eu faço?", então relatei o que estava acontecendo e um dos colegas foi verificar, dizendo se tratar de pagamento de várias faturas com cheque de outro banco, de valor muito alto, uma vez que a colega do caixa falou que não poderíamos aceitar uma vez que não era permitido tal operação, o homem retirou-se da agência, pode ser que eu estivesse realmente sismada ou poderia tratar-se de estelionato. Por instantes recordei-me do dia em que retornando ao trabalho após quatro meses em licença maternidade, atendi um cidadão que veio até o caixa pagar uma fatura com cheque do mesmo banco da fatura, olhei pra ele, algo me avisava que teria problemas com essa pessoa, mas como estava afastada e havia acabado de chegar, sendo que em determinadas situações prestávamos esse serviço aos clientes, aceitei, arrisquei, confiei na tentativa de ajudar e depois de alguns dias me "lasquei", tive que pagar o cheque no valor de quase dois mil reais, que havia sido devolvido; por isso que os clientes devem entender o trabalho dos caixas e não insistir em um serviço que não seja autorizado, uma vez que o banco não se responsabiliza. Paguei, assumindo a conseqüência do ato de confiar em uma pessoa e além de pagar materialmente, fui moralmente ofendida pelo presidente do banco, que chamou minha atenção diante de todos os colegas, humilhando e abusando do seu poder de patrão, fiquei triste, mas superei e passei a não confiar mais em ninguém e diante desse quadro de trauma e lembranças traumatizantes, sentia-me pior. Quando uma pessoa erra, está errando na tentativa se acertar, não erra porque deseja e o preconceito a respeito do erro, envolve uma história de vitórias e derrotas da humanidade, com situações de humilhação e maldade; daí pensei "quem será a pessoa pior? o estelionatário que roubou meu dinheiro através de um papel? ou o presidente do banco, que marcou reunião com todos os colaboradores para me humilhar, ameaçar e denegrir minha imagem? o que pensar? talvez pudesse ser uma das inúmeras formas de alimentar o preconceito em relação a maternidade, uma vez que percebia nitidamente que todas as vezes que eu resolvia ter meus filhos, amados, planejados e esperados, sentia o preconceito e a torcida contrária do inconsciente coletivo, principalmente por parte do patrão, mas ainda assim poucas pessoas apoiavam minha opção em ser mãe de mais de dois filhos.
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quinta-feira, 31 de janeiro de 2008
O Dia do Assalto
O assalto ocorreu em 18 de outubro de 2004, naquela segunda-feira o banco abriu as portas como de costume e tudo corria bem, até que eu percebi dois homens desconhecidos conversando com a secretária estagiária, indagando qual o procedimento para troca de cheque, ao que a secretária informou, eles se retiraram da agência. Assim que os homens saíram perguntei a mesma, se ela os conhecia, respondendo negativamente, relatei que a situação me fizera recordar de um assalto ocorrido em 1998, em que dois homens vieram até o caixa em que eu atendia, fazendo perguntas a respeito de poupança, enquanto um deles interrogava e eu respondia que a agência era somente para servidores da Instituição de Ensino Federal, onde o banco funcionava, o outro observava o interior da mesma e em um tempo depois, no mesmo dia, realizaram o assalto, onde permaneci deitada no chão com arma apontada em direção a minha cabeça; por isso é que a sena chamou-me a atenção e a partir de então, falei aos colegas e pedi ao segurança terceirizado que prestava serviço na agência, que ficasse atento diante da situação. Foi aí que em torno de 12:45 h, ocorreu o assalto, onde outros dois homens, não os mesmos que abordaram a secretária, entraram, o primeiro passou pela porta automática armado, informando o assalto olhou nos meus olhos, mirando a arma em minha direção, gritando muito alto para que o segurança liberasse a porta ao outro assaltante, que usava capacete e estava com arma de fogo nas mãos, preso na porta giratória; o segurança foi rendido e teve sua arma retirada do cinto, liberou a porta e deitou-se no chão, momento em que todos nós que estávamos dentro da agência, tanto clientes do caixa como funcionários, já deitados no chão, ouvíamos os gritos estridentes e ameaças assustadoras proferidas pelo primeiro que entrou, que até a dona da farmácia em frente ao banco ouviu a gritaria, ficando apreensiva; assim que o segundo assaltante entrou, pulou o balcão do caixa e ordenou que eu levantasse e colocasse o dinheiro no malote, então pedi que pelo amor a Deus, tivesse cuidado com a arma que eu iria fazer o que estava pedindo, nesse momento senti muito medo, mas levantei-me, com as mãos elevadas, abri rapidamente a gaveta, peguei o malote, coloquei o dinheiro e afastei-me, ficando em pé, com o rosto virado pra parede, enquanto a outra colega que atendia no outro caixa, terminava de colocar o dinheiro no malote e entregava ao assaltante; assim que escutei o som da porta giratória por onde os assaltantes saíram, virei, olhei todos deitados no chão, exceto a colega caixa que ainda em pé, com as mãos na cabeça, falava "minha nossa"!, então falei que todos poderiam levantar, pois os assaltantes já haviam saído e pedi para avisarem a polícia. Foi aí que olhei pra colega que havia colocado dinheiro no malote para os assaltantes, também e comecei a chorar, dar gargalhadas e tremer ao mesmo tempo, até que consegui ficar mais calma e fomos fechar os caixa para ver o quanto tinham levado em espécie, para passar o valor aos policiais que já estavam na agência. Resultado passamos a tarde toda na delegacia prestando depoimento e fazendo reconhecimento de alguns bandidos que tem ficha na polícia, que estavam nas imediações e foram pegos, mas não reconhecemos nem um deles e também tinha o detalhe, que um deles estava ferido, sem a menor possibilidade de ter participado desse assalto. Trabalhei nesse banco de dezembro de 1997 a outubro de 2004, passei por dois assalto e escapei de dois, o segundo bastou para que eu passasse a sofrer de síndrome do pânico, que pretendo dividir com todas as pessoas que se interessarem por esse assunto, tanto no sentido de exemplo de lição de vida, força, coragem e superação, quanto para quem está passando por essa situação e acha que não vai conseguir, pois eu digo que tudo é possível e pra tudo há sempre solução, ontem quando assistia ao Jornal da Globo, lembraram novamente do caso daquele menino que foi arrastado no carro preso pelo cinto de segurança, onde informavam o tempo de pena que cada participante do crime terá que cumprir e a gente fica pensando, como é triste porque, tudo que for feito não vai trazer de volta a vida e nem apagar da memória dos pais tal situação, mas como sempre temos que buscar forças do cósmico, para continuar tendo coragem para viver e construir outras realidades, então, que assim seja!; muitas pessoas passam por inúmeras situações e há sempre algo mais triste e pior, por isso mais do que nunca sejamos positivos e otimistas, porque o universo é formado e constituído de muita energia e é essa energia que precisa ser transformada em nós, para refletir em tudo que está em nossa volta para que a humanidade aprenda a ser humana de verdade e compreender que o bem é o único caminho real e verdadeiro a ser seguido, dentro desse processo de humanização.
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